Síndrome de Asperger ou PEA? Como posso lidar e ajudar?


18 de fevereiro é o Dia Internacional da Síndrome de Asperger.


Foi escolhido este dia e não outro, por ser o dia do nascimento do psiquiatra austríaco Hans Asperger (1906-1980), o primeiro médico a descrever esta perturbação. A partir da década de 1980, os trabalhos do Dr. Asperger foram ganhando cada vez mais importância, e os pais com filhos diagnosticados resolveram criar uma data para consciencializar e sensibilizar as pessoas sobre as especificidades desta síndrome.


Em maio de 2013, foi lançada a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V), que trouxe algumas mudanças importantes. A Síndrome de Asperger, assim como o autismo, foi incorporada num novo termo médico, chamado de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Com esta nova definição, a síndrome passa a ser considerada, portanto, o nível de gravidade mais baixo da PEA. Os pacientes são diagnosticados apenas em graus de comprometimento e o diagnóstico fica mais completo.


A PEA é assim, uma perturbação crónica que afeta o neuro-desenvolvimento da criança. Manifesta-se tipicamente antes dos 3 anos de idade, prolongando-se por toda a vida e evoluindo com a idade, e que se repercute clinicamente numa díade de dificuldades: "défices persistentes de comunicação e interação social em vários contextos"; "padrões de comportamento repetitivos e restritivos característicos".


Nos primeiros anos de vida, os pais e educadores devem estar sensibilizados para este tipo de manifestações e para características peculiares da comunicação. Se estiverem atentos aos sinais de alerta e agirem atempadamente, com acompanhamento multidisciplinar, podem contornar-se e minimizar-se algumas manifestações.


Dadas as competências das crianças com PEA surgem várias vezes dificuldades.


Como lidar e ajudar uma criança com PEA?

  • Seguir a iniciativa da criança

Quantas vezes já demos por nós a comandar as brincadeiras com os pequenotes (com e sem PEA)? "O carrinho dos bebés é para os bebés, não é para ti!", "A comida não é para fazer de carrinho, é para comer!". Sim, isto é verdade, mas não deve ser seguido à regra. Brincar é como a própria palavra diz "brincar", e devemos deixar as crianças brincarem como quiserem. Quem diz brincar, diz outras situações do dia a dia. Experimente tirar 10 minutos do seu dia em que a criança é que manda, e vamos seguir a iniciativa dela. Deste modo, vamos conseguir fortalecer a nossa relação com ela e ter muitos mais momentos de interação comunicativa.


  • Adequar a resposta

Crianças com alterações graves de comunicação têm dificuldade em decifrar as nossas expressões faciais, variação prosódica, gestos... Assim, os cuidadores devem ajustar a sua resposta, com base nas emoções e comunicação não verbal que sentem, e que a criança está a sentir, exagerando-as (para a criança começar a tomar consciência das mesmas). Por exemplo, se ela está a brincar e tem que ir tomar banho, é diferente dizer "Agora é hora do banho, está bem? (pergunta, causa dúvida) vs. "Eu sei que estás a brincar, mas agora acabou, é hora do banho." (afirmação assertiva).


  • Respeitar para confiar

Crianças com PEA têm muitas das vezes preferência por determinados objetos, alimentos, roupas, etc. Estas preferências e até os comportamentos obsessivos e repetitivos trazem-lhes segurança. Assim, caso os queiramos alterar ou modificar, não devemos ser bruscos e devemos respeitar e facilitar a criança. Primeiro ganhar relação com ela, depois pensar em como modificar. Sem respeito, não há confiança, e se uma criança não confia em nós não vamos conseguir obter nada dela.


  • Antecipar e explicar

A mudança de rotina ou atividade nestas crianças é quase sempre mal recebida, principalmente quando é repentina e sem aviso. Assim, as pessoas que lidam com estas crianças, devem facilitar o processo, antecipando sempre o que vai acontecer, quer seja um final de sessão terapêutica, uma semana de férias escolares, ou até uma ida à casa de banho. Antecipação é a palavra-chave!


  • Rotular e estimular

Todas as crianças, com ou sem PEA, podem e devem ser estimuladas. Quanto mais estimulação, mais desenvolvimento. Aproveitem tudo o que a vossa criança faz e rotulem, se ela quer água, não perguntem "Queres água?", digam "Quero água" e deem-lha, de forma a que ela possa usar isso mais tarde. Mas não se esqueçam, o silêncio também pode ser uma forma eficaz de comunicação, principalmente quando as crianças estão desreguladas sensorialmente, por isso não exagerem na estimulação.



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