10 Estratégias para ensinar matemática a crianças com perturbação do espetro do autismo

Atualizado: 11 de Nov de 2020


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A matemática é encarada como uma área chave para o processo de ensino e de aprendizagem das crianças com necessidades educativas especiais (NEE), dada a sua importância na vida escolar e quotidiana destas crianças.


Já aqui abordamos o conceito da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), ver 2 de Abril - Dia Mundial da Consciencialização do Autismo. As crianças diagnosticadas com PEA apresentam um perfil funcional e cognitivo altamente variável, sendo esta perturbação considerada, pelos profissionais de saúde, como uma das problemáticas que causam maior desafio ao nível da intervenção. Em alinhamento com esta apreciação, o perfil de desempenho em matemática de crianças com PEA é altamente variável. Existem estudos que revelam que crianças com PEA têm capacidades matemáticas superiores à média, por outro lado, existem outras pesquisas que indicam que estas crianças têm dificuldades na matemática, nomeadamente na compreensão de conceitos matemáticos para aplicações quotidianas, como no raciocínio matemático e na resolução de problemas.


Ensinar matemática a crianças com PEA pode ser bastante desafiador, mas com algum pensamento criativo e com ênfase em auxílios visuais e interesses individuais, o ensino e aprendizagem da matemática pode ser um processo bem-sucedido para estas crianças. Importa, antes de mais, referir que não existe uma estratégia de ensino que seja bem-sucedida com todas as crianças que se enquadram neste diagnóstico. Logo, é necessário conhecer bem a criança a vários níveis, para lhe dar a si, pai/mãe/educador/professor/terapeuta, uma melhor visão sobre qual estratégia funcionará melhor para a criança.


O ensino da matemática para crianças com PEA pode ser auxiliado utilizando as seguintes estratégias:


1. Identifique os interesses específicos da criança com PEA e use-os para ensinar os conceitos matemáticos

As estratégias no ensino da matemática devem ser selecionadas de acordo com o perfil individual, idade, capacidades e interesses de cada criança, para ajudar a que criança aumente a sua motivação e aprenda os conceitos de matemática com significado. É crucial personalizar as atividades matemáticas tendo em conta o perfil de cada criança (interesses, capacidades e desempenho).

2. Utilize linguagem visual e textual simples

Os enunciados das atividades matemáticas devem ser explícitos, diretos e curtos para que as crianças com PEA possam memorizar e aplicar os seus conhecimentos. Utilize linguagem, termos, expressões, nomes e símbolos familiares ao contexto da criança, acompanhadas com ilustrações relevantes de suporte ao ensino da matemática. Se possível forneça várias representações do conteúdo, utilizando texto, imagens, áudio e/ou vídeos.

3. Utilize esquemas de autorregulação

A autorregulação envolve que as crianças completem listas de verificação enquanto realizam as tarefas, com lembretes para cada etapa, oferecendo uma maior estruturação na realização das atividades matemáticas. Por exemplo, mostrar concretamente à criança o número de tarefas que vai realizar, a identificação clara do tempo de que dispõem, o que foi já concluído, o que precisa de ser finalizado e como prosseguir, bem como, assinalar o(s) momentos(s) de pausa para a criança autorregular os seus comportamentos e emoções.

4. Crie hábitos sistemáticos e rotinas de trabalho

Existem evidências que as crianças diagnosticadas com PEA quando expostas a uma instrução e hábitos sistemáticos, e a rotinas de trabalho conseguem aumentar o seu conhecimento ao nível dos conceitos matemáticos. Estas aprendem melhor num ambiente estruturado, onde haja consistência e repetição de capacidades recém-adquiridas.

5. Forneça feedbacks e elogios frequentes

No ensino da matemática, as crianças com PEA beneficiam de estratégias e intervenções que enfatizam feedbacks e elogios frequentes, confirmando as ações corretas ou alertando sobre possíveis erros. Este tipo de estratégia dará maior robustez à aprendizagem dos conceitos matemáticos e assegurará que a criança compreenda cada etapa da resolução de uma atividade ou problema matemático.

6. Utilize materiais físicos e exemplos visuais

Habitualmente as crianças com PEA apresentam um bom desempenho no processamento visual e na memorização, dependendo preferencialmente, de estratégias percetuais e viso espaciais. Daí no ensino da matemática a utilização de materiais físicos para que as crianças possam manipular e visualizar objetos concretos e a utilização de ilustrações simples, exemplos visuais torna-se imperativo tanto no conteúdo da instrução e/ou no objetivo de aprendizagem. Por exemplo: use o Super Combo Números da Edu&Kates’s para a aprender a noção dos números e aprender a contar.

7. Forneça exemplos da vida quotidiana

O ensino da matemática deve integrar experiências da vida quotidiana das crianças no processo de ensino dos conceitos matemáticos e na resolução de atividades e problemas matemáticos, dado que o verdadeiro objetivo do ensino e aprendizagem da matemática é que as crianças com PEA aprendam capacidades essenciais para resolver os seus problemas da vida real.

8. Divida as atividades matemáticas complexas em subtarefas mais simples

A decomposição da resolução das atividades matemáticas complexos é também uma estratégia que deve ser considerada. Muitas vezes é necessário decompor as atividades e problemas matemáticos em tarefas mais simples passo-a-passo, levando a criança a uma maior concentração nos detalhes intrínsecos à resolução da atividade e/ou problema.

9. Reescreva os enunciados das atividades e problemas matemáticos

As crianças com PEA têm dificuldade em processar muita informação ao mesmo tempo e/ou dificuldade em interpretar frases, formas linguísticas e conteúdos semânticos. É por isto que pode ser necessário reescrever o enunciado das atividades/problemas matemáticos com outras palavras, e em caso de necessidade, indicar o processo necessário para resolver um dado problema matemático.

10. Utilize jogos físicos e jogos digitais

A utilização de jogos físicos assim com a utilização de jogos e ambientes digitais no processo de ensino da matemática potenciam o desenvolvimento de aprendizagens bem-sucedidas por parte das crianças e jovens com PEA e faz com que as crianças ampliem tanto a curiosidade, o raciocínio matemático, como a autoconfiança e iniciativa, trazendo inúmeros benefícios ao seu desenvolvimento motor, emocional e intelectual. Por exemplo: use o Super Combo Números da Edu&Kates’s para a aprender a noção dos números e aprender a contar e como coadjuvante a atividade “Quantos são” do Learning Environment on Mathematics for Autistic Children (LEMA) - protótipo de um ambiente digital concebido para a promoção do desenvolvimento de capacidades matemáticas, com modalidades de adaptação dinâmica das atividades propostas tendo em conta o perfil do utilizador, destinado a crianças entre os 6 e os 12 anos, diagnosticadas com PEA. Notar que, apesar do LEMA ter sido concebido e desenvolvido para atender às especificidades das crianças com PEA, este também pode ser utilizado por qualquer criança/jovem com ou sem NEE, dado que apresenta níveis de flexibilidade e adaptação das atividades incorporadas tendo em conta as especificidades dos utilizadores.


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Autora: Isabel Santos


Doutorada em Multimédia em Educação, Universidade de Aveiro.

Na investigação, tem como áreas de interesse as ‘tecnologias digitais e necessidades especiais’, ‘inclusão digital’, ‘papel das tecnologias digitais nos processos da educação’ e ‘conceção de conteúdos educativos para a promoção de competências académicas e funcionais para públicos específicos’, de forma a contribuir para a premissa da escola de TODOS e para TODOS.

O lema da sua vida sempre foi e será nunca desistir perante as adversidades que a vida proporciona, aproveitando todas as oportunidades de crescimento pessoal e profissional que surgem!!!


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