Como ensinar as cores às crianças?

Atualizado: 2 de jun.


Qualquer ocasião é boa para as crianças aprenderem as cores: em casa, na rua, no campo, em quase todos os lugares e em praticamente todas as brincadeiras. Geralmente, aprendem as cores entre os dois e os três anos, começando por distinguir as cores primárias: vermelho, azul e amarelo.

Aprender as cores é fundamental para a estimulação de competências essenciais na infância, quer em crianças que seguem o desenvolvimento típico, quer em crianças com necessidades educativas. Áreas como a coordenação, a concentração, a motricidade grossa e fina, a linguagem, a fala, entre outras, podem ser desenvolvidas com a simples aprendizagem das cores, para além de que, o uso das cores numa pintura, pela criança, demonstra a forma como ela vê e experiencia o mundo ao seu redor.


As cores são individuais, abstratas. Contudo, muitas das vezes têm o poder de nos transmitir ou permitir transmitir ao outro, emoções, efeitos e diferentes perceções e significados, dependendo da cultura em que a pessoa está inserida e até de características físicas e neurológicas da pessoa.


Para as crianças com autismo, por exemplo, a perceção das cores não se manifesta de acordo com as experiências. A cor tanto pode funcionar como uma sobrecarga sensoriovisual (hipersensibilidade), como pode ser um característica de obsessão e alívio (hiposensibilidade). Na sua grande generalidade, as crianças com PEA têm menos capacidade de discriminação cromática, independentemente das alterações sensoriais, o que pode variar conforme a estimulação e o próprio contexto onde cada criança está inserida.


Desta forma, as cores muitas das vezes são algo difícil de as crianças (normativas ou não) adquirirem. Deixámos-vos assim, algumas dicas que podem ser úteis para a aprendizagem das cores.


7 dicas úteis para ensinar as cores


1. Trabalhar uma cor de cada vez. A associação das cores aos respetivos rótulos pode ser complicado. Várias cores, numa fase inicial, pode ser alvo de confusão e até de frustração. O ideal será começar com uma cor e as suas respetivas tonalidades (p. ex. azul claro, azul escuro, azul água), tendo em atenção qual a quantidade de estímulos adequada para a criança em questão. Desta forma, ela será capaz de aprender que há diversas tonalidades da mesma cor.


2. Usar a cor associada a um objeto. Se a cor amarela é a que está a ser trabalhada, dentro das rotinas da criança, podemos dizer: "Oh, banana. A banana é a amarela."; "A esponja do banho é amarela.". Quanto mais exemplos, quanto mais rótulos, melhor será a aprendizagem da criança, visto que terá mais hipóteses para guardar a cor na sua memória.


3. Utilizar exclusivamente a fala e o input auditivo pode não ser o melhor. Inicialmente a criança pode conseguir apenas identificar, apontando, a cor. Ora, se lhe damos apenas o input auditivo, pode não ser o suficiente. Deve-se sim rotular, mas também apontar, mostrar vários objetos/imagens da mesma cor, e até pedir à criança para juntar objetos da mesma cor, dando o exemplo.


4. Começar pelas cores primárias: vermelho, amarelo azul. Estas cores são de mais fácil discriminação cromática. Depois gradualmente pode ser ir juntando outras cores. E que tal fazerem uma semana alusiva a cada cor? Quanto mais repetir a cor, mais facilmente a criança irá assimilar o conceito e mais facilmente ela se recordar-se-á posteriormente.


5. Apresentar vários formatos onde surja a mesma cor. Diferentes texturas, formas, objetos, imagens, pode ajudar a criança a memorizar mais rápido, nunca perdendo de vista a ideia de que cada criança tem o seu ritmo próprio de aprendizagem, e que o mesmo deve ser respeitado por todos os intervenientes no seu processo educativo.


6. Não sobrecarregar a criança com muitos estímulos. Acima de tudo, ter contrapeso e medida, de forma a evitar a desorganização e a frustração. As opções devem ser limitadas às capacidades da criança, isto é, se só consegue discriminar e identificar dois objetos de cada vez, então só lhe vamos dar a escolher entre duas opções, preferencialmente de tons diferentes (p. ex. vermelho e azul, e não vermelho e laranja), para evitar a confusão com cores semelhantes.


7. Crianças com alterações sensoriais, podem reagir fortemente. Para além das preferências por determinadas cores, no caso das crianças com PEA, por exemplo, às vezes a presença de uma determinada cor numa imagem pode fazer com que ela se foque nesse ponto, e não se consiga abstrair para o todo. Deste modo, devemos conhecer bem as individualidades de cada criança, para depois podermos intervir em função das mesmas. Pode ser necessário usar as cores isoladas, ou até, em alguns casos, só o preto e branco!


O jogo SuperColour da Edunkates diferencia-se na aquisição das cores, porque permite à criança uma associação divertida de imagens reais, do seu dia a dia, às respetivas cores, para além de desenvolver uma panóplia de competências, desde linguagem e fala a motricidade fina e atenção.